Entrevista com Rogério Gimenez, Advogado e Proprietário do Vida de Advogado

23 Ago 2017
Publicado em Entrevistas

 

Em comemoração às 100 mil curtidas da página do Facebook Vida de Advogado e como minha primeira entrevista como Editor do Vida de Advogado, resolvi entrevistar nada mais nada menos que o criador e proprietário do Vida de Advogado.

 

Rogério de Almeida Gimenez, 40 anos de idade, formado desde 2001, natural de Mogi Mirim, viveu em Campos de Jordão e São Paulo, sendo que atualmente reside na Cidade de Itu com a sua família. Trabalha atualmente em um escritório de advocacia voltado para a área cível e focado mais no âmbito imobiliário.

Quando questionado sobre os motivos que o levou a escolher o curso de Direito, respondeu que foi influenciado pelo seu padrasto o qual dizia que o mesmo detinha qualidades para futuramente ser um bom Promotor ou Juiz.

Sobre o curso de Direito ao qual escolheu, Rogério diz: “Temos vários pontos positivos e negativos do Direito, como positivo, digamos que seja um curso que abre os horizontes e amplia o conhecimento do indivíduo, isto é, daqueles realmente interessados e sem contar ser uma profissão na qual você pode ajudar muitas pessoas, afinal quem nunca precisou de um advogado. Pontos negativos, infelizmente digamos que é uma profissão desvalorizada, seja pela grande quantidade de cursos jurídicos existentes e com isso a formação de muitos profissionais, muitas vezes totalmente despreparados para a prática, e tendo em vista muitos profissionais no mercado, os escritórios desvalorizam e contratam esses profissionais por um salário bem abaixo da média”. Outro ponto negativo, segundo nosso entrevistado, são as empresas de logísticas jurídica, as quais não valorizam esses profissionais, “a grande maioria os trata como descartáveis e oferecem valores irrisórios e uma vez que os advogados não são uma classe unida, na minha opinião não são, rola uma digamos que competição, um quer passar por cima do outro e sempre terá aquele que aceitará uma migalha por um trabalho que o outro não faz por valor irrisório.”

Rogério se formou em 2001, porém, foi aprovado no exame da OAB em 2003, sendo que segundo ele, nunca foi muito bom com testes, e sendo assim, sempre era reprovado na primeira fase da OAB, porém depois de fazer alguns cursinhos e prestar o exame quatro vezes, já a ponto de desistir, passou de uma vez só na primeira e na segunda fase.


Sabendo que os advogados escolhem sua área pelo grau de afinidade que tem com ela, perguntei a ele em qual delas o seu desenvolvimento era maior., sendo respondido que “como desde o início da faculdade, mais precisamente do primeiro ano eu comecei a fazer estágio com um Juiz da Vara da Família que se aposentou e abriu um escritório, eu me afinei mais no âmbito da família e cível, pois este era o enfoque principal do escritório. ”

Pedi a Rogério que falasse um pouco mais sobre sua trajetória na advocacia: 

“ Bom, eu comecei a fazer estágio já no primeiro ano da faculdade, e fiquei com Dr. Vitorino até o quinto, comecei com ele fazendo de tudo, mas o principal era digitando as peças que ele ditava, pois ele não dominava o computador, e com isso aprendi muito. Depois, o escritório cresceu e eu comecei a fazer sozinho algumas petições, trabalhos externos e fiquei cuidando dos outros dois estagiários contratados, dividia a tarefa entre eles. Sai do Dr. Vitorino quando estava no quinto ano da faculdade e fui trabalhar com a Dra. Ivahyde, uma perita contábil, era o assistente jurídico dela, aprendi a fazer Laudos, sempre os digitava para ela, assim como a acompanhava nas diligências em empresas e no contato com os Juízes que a nomeavam. Enquanto estava com a Dra. Ivayde, eu passei na OAB e tive a oportunidade de ser convidado a integrar e fazer parte de um escritório com mais três pessoas, então eu ficava no meu escritório na parte da manhã, e na parte da tarde trabalhava com a Dra. Ivahyde. Fiquei com a Dra. Ivahyde durante quase sete anos, nesse ínterim desmanchei a sociedade que fazia parte e também após isso alcei novos rumos e fui trabalhar em um outro escritório de pequeno porte, voltado mais a área empresarial, fiquei lá por um tempo, chegando a coordenar a área cível do escritório, aonde fiquei por quase três anos. Após fui para um outro escritório já de médio porte aonde trabalhava para Bancos, porém, na área de busca e apreensão de veículos, foi digamos que uma passagem para outro escritório de grande porte, o qual foi a minha grande decepção, aonde fiquei na área de Recurso de um cliente, também Banco, porém, após três meses, decidi sair e já quando eu estava pensando em deixar a carreira, fui chamado para fazer parte da equipe de audiêncistas de um escritório de grande porte o qual trabalhava para vários Bancos e clientes grandes. Neste escritório, eu estudava o caso e era responsável por fazer somente audiências e uma vez ou outra ajudava as demais células do escritório internamente. Pois bem, eu cresci neste escritório e cheguei a vaga de coordenador, coordenei a própria equipe que fiz parte e também os correspondentes jurídicos do escritório a nível nacional, porém, isso é uma outra história, me decepcionei e depois de seis anos trabalhando neste escritório, decidi sair com muita dor no coração, pois foi o escritório que mais gostei de trabalhar até hoje. Com receio de ficar desempregado, aceitei um novo desafio, ser gerente em uma empresa de logística jurídica que fica em Porto Alegre e sim, me mudei para lá e foi aonde comecei a decair, pois gastei para ir, não gostei, pois era totalmente diferente do que eu imaginava, não advogava mais, apenas coordenava uma equipe voltada à contratação, cadastro, negociação e treinamento de advogados correspondentes, a nível nacional, fiquei nesta empresa cerca de seis meses e decidi voltar para o Interior de SP, aonde comecei a trabalhar como correspondente jurídico, e assim fiquei cerca de um ano, porém, por não compensar, em relação a valores, comecei novamente a procurar uma recolocação profissional, foi quando surgiu a oportunidade de novamente fazer parte de um escritório de pequeno porte, porém, com clientes grandes em São Paulo Capital. Porém, foi também uma decepção, pois tudo o que fazia tinha de ser passado por revisão e era tratado como criança, sem crédito nenhum. Fiquei acho que dois meses por lá e decidi, já no fundo do poço, voltar para Itu e ficar a mercê de uma vaga, voltando a fazer pequenos trabalhos como correspondente jurídico, foi quando uma conhecida me indicou para um escritório em Itu e aonde eu estou até hoje e por sinal gosto muito, pois confiam em meu trabalho, não ficam fazendo revisão em tudo, acreditam no meu potencial, e curiosamente pela primeira vez em mais de dez anos de OAB eu tenho minha própria sala e posso dizer que sou tratado como um advogado de verdade. Vale ressaltar que durante esta trajetória, eu prestei concurso público algumas vezes, seja para Promotor ou Juiz, porém, não passei, ainda. “

Para Rogério, a maior dificuldade, apesar de dizer que nunca teve medo, sem sombra de dúvida foi ficar por um longo tempo desempregado, na busca de uma recolocação profissional. “Você chegar ao ponto de ver seu nome ir para a lama, quase perder seu carro por não conseguir pagar, se sentir impotente por nada poder fazer, sinceramente foi a minha maior dificuldade.” Segundo Rogério, para superar esta fase, primeiro sentiu vontade de desistir de tudo, depois, diz ter se lembrado da força interior que diz ter e confiante em Deus, começou a ouvir algumas pessoas e ao invés de reclamar e se lamentar, diz que começou a agradecer pelo que tinha e a acreditar que tudo iria melhorar, tratando-se ser uma fase de aprendizado, e a partir deste momento em que simplesmente parou de reclamar, Rogério diz que tudo começou a fluir novamente e aos poucos esta a colocar a bagunça que diz ele mesmo ter feito, eis que se considera responsável por ela, em seu devido lugar.

Quando questionado sobre mudar de profissão, Rogério explica: “Na verdade, quando estava no terceiro ano da faculdade a minha vontade era de ser Juiz, e eu me via como um, porém, tinha que passar na OAB primeiro e também precisava trabalhar para ajudar a pagar a faculdade e ter minhas coisinhas, então digamos que automaticamente passei a advogar e acredito que foquei mais no trabalho que nos estudos e com isso, estou advogado. Mas sim, já pensei em ser jornalista, porém, ainda não consegui fazer outra faculdade, e tenho duas colunas no site da Cidade de Itu, fora tudo o que escrevo para meu próprio site do Vida de Advogado e o Blog, além claro, sempre tive vontade de ser famoso“.


Sobre o mercado de trabalho, Rogério considera que se o advogado for dedicado e persistente e não querer começar a trabalhar ganhando um alto salário, o mercado é acessível, e que nunca teve problemas em conseguir uma recolocação profissional quando do início da carreira, porém, acredita que depois de um tempo de OAB é que começa a existir uma certa dificuldade, seja porque acham que um advogado com tempo de carreira quer ganhar muito dinheiro, seja pela idade, sendo que preferem contratar recém-formados, pois para estes pagam menos.

 

Nosso entrevistado atualmente possui uma página no Facebook com mais de 100 mil curtidas, além do seu canal no Youtube com quase 2000 inscritos. Pedi que contasse mais sobre sua inspiração e o foco das suas redes sociais, ele diz que poderia ficar horas aqui escrevendo sobre a página, pois a considera como a sua menina dos olhos, sua grande fonte de orgulho e inspiração, se considera antenado nas mídias sociais, Orkut, depois o Facebook e que “tinha a péssima ou ótima, tudo depende, mania de postar o que acontecia na rede, porém, como na época trabalhava em um escritório de grande porte, com clientes digamos que grandes e importantes, começaram a pegar no meu pé dizendo que eu estava me expondo muito, foi quando decidi criar uma página no Facebook para postar o que eu bem pensava, porém, fiz a página inicialmente com meu nome, o que de nada adiantou, foi quando então decidi mudar o nome para Vida de Advogado, pois eu contava ali o dia a dia de um advogado, no caso, o meu dia a dia”.

Aos poucos foi ganhando curtidas, surgindo novas ideias e hoje esta com mais de cem mil fãs, na verdade quando participou desta entrevista, não tinha atingido ainda os 100 mil. Já o canal do Youtube, segundo Rogério, surgiu por intermédio da página, quando alguns fãs deram a ideia do canal, pedindo para nele contar experiências, após isso, participou de uma assessoria para aprender um pouco mais sobre o Youtube e começou a gravar vídeos com mais frequência.

O foco da página é o dia a dia de um advogado, no caso ele, o Rogério e suas experiências, contadas com uma pitada de humor e ironia, complementa.

Rogério pondera sobre a dificuldade de lidar com as pessoas, “pois você nunca conseguirá agradar a todos, sempre terá alguém que irá te criticar e detonar, porém, temos de estar preparados para isso, por exemplo, eu sempre faço postagens voltadas para datas comemorativas, e em junho, infelizmente, após fazer algumas com conteúdo GLS, por conta do mês do Orgulho Gay, fui detonado, perdi fãs na página e muitos, alguns fizeram comentários totalmente homofóbicos e desprovidos de razão, disseram até que eu estava fazendo militância para o público gay. E isso não aconteceu somente com postagens deste conteúdo, mas de outros também, os quais as pessoas infelizmente ao invés de não curtirem, resolveram descurtir a página e me ofender, como um rapaz do Amazonas que disse que eu não passava de mais um advogado de bosta e desocupado”.  Foi quando Rogério diz ter pela primeira vez banido um membro da página.

Diz que já sabia que tendo a quantidade de fãs que a página tem e as diferentes classes e regiões a que a página alcança, nem sempre conseguiria agradar a todos, porém, diz jamais abandonar seus princípios e convicções ou deixar de postar algo porque alguém não irá gostar, se fizesse isso, não teria sentido, pois sempre terá um ou outro que não irá gostar e isso acontece em todos os lugares.
Indagado sobre sua fonte de inspiração, Rogério responde que “sem falsa modéstia, minha inspiração fui eu mesmo, o meu dia a dia e o que nós, advogados passamos, então posso dizer que a maior inspiração foi eu e o Direito, claro”.

Por fim, pedi então que ele nos deixasse alguma dica ou mensagem para quem está pretendendo cursar Direito, ou até mesmo já está formado na área.

“Não tenha medo, exclua essa palavra de sua vida, não tenha dúvidas, sempre que tiver oportunidade pergunte e esteja disposto a aprender. Se você estiver em um lugar (escritório) em que esteja gostando, fique lá, não tem porque largar o certo pelo duvidoso. Por mais que alguém venha para lhe desagradar ou tirar você da sua zona de conforto, não fuja, não a enfrente, apenas continue dando o melhor de si ou se achar que deve alçar novos voos, tenha certeza de onde irá pousar, pois uma hora ou outra você terá de fazer esse pouso, não conseguirá ficar tanto tempo voando. Apenas não tenha medos e acredite na força que existe dentro de você, independente da sua crença, acredite sempre em você e não tenha medo de enfrentar o mercado de trabalho, pois apesar de todas as dificuldades, sempre existirá um lugar para pessoas de boa vontade e dispostas a crescer e ajudar quem precisa. Fé. “

 

Por Lucas

 

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