Entrevista com o Advogado, Presidente da Comissão de Diversidade Sexual e Gênero da Comarca de Itu e da CODISEI- Comissão da Diversidade Sexual de Itu- SP

17 Fev 2019
Publicado em Entrevistas

 

 

Ramon Olads da Cruz Almeida, advogado, concluiu a Faculdade de Direito pela FADITU na Comarca de Itu/SP no ano de 2013, sendo aprovado na OAB em abril do ano seguinte. Tem 27 anos, filho da D. Débora e do Sr. Francisco. Nascido em Boituva/SP, mas passou toda vida praticamente em Salto/SP e, atualmente mora em Itu/SP. Casado, não tem filhos, e o que mais ama fazer é viajar, estudar e assistir séries.

 

Sempre gostou de escrever e principalmente de ler, o que considera como requisitos essenciais para quem quer atuar no Direito. Quando foi escolher um curso de graduação, diz sempre ter pensado em um leque de opções que esse curso pudesse oferecer. Ramon diz não se ver fazendo o mesmo procedimento para sempre, pois considera que há inúmeras possibilidades desde o consultivo ao contencioso e sendo assim esse foi o motivo principal que o levou em 2009 a decidir cursar Direito, sendo inclusive o primeiro advogado de sua família.

Fez estágio em um escritório na Comarca vizinha à Itu, Salto. Foi uma experiência maravilhosa. Eu decidi fazer estágio já no final do quarto ano, e, para minha felicidade, consegui entrar em um ótimo escritório onde se preserva o estudo e a pesquisa. Assim, pude me lançar bem preparado para o mercado de trabalho”. Atualmente trabalha em uma Sociedade de Advogados.

Assim que encerrou seu contrato de estágio, e já então aprovado no Exame da OAB, na mesma semana foi contratado pela RVA CONSULTORIA TRIBUTÁRIA E EMPRESARIAL, escritório no qual continua até hoje, sendo que após um ano efetivado como advogado, lhe ofereceram parte da sociedade, da qual atualmente integra. “Acho um mercado de trabalho concorrido, como qualquer outra profissão, onde se faz necessário ser um profissional especializado. Digo, quando você se torna especialista em determinado assunto, e faz aquilo com todo zelo exigido na nossa profissão, acredito que com o tempo, há sim como conquistar seu espaço”.

Porém, Ramon acredita que no Interior, há uma resistência em alguns ramos, tais como Arbitragem, Direito Corporativo e Compliance, dentre outras modalidades do Direito já bem representadas na Capital.

Quanto à sua rotina como advogado, explica que sua rotina não é diferente da maioria dos advogados que conhece. “É de manhã um café, reunião, petição, terno e gravata para audiência neste calor insuportável (hoje com a utilização suspensa, o que foi um avanço), uma cobrança aqui, alguns honorários não pagos, barriga no balcão, sustentação oral, pesquisas, cursos, estudos, atualizações, leitura, leitura e mais leitura. Nada muito glamoroso, mas tudo com muito amor e empenho”.

Ramon exerce seu labor mais com Contencioso Cível, sendo que sua área preferida é a Propriedade Intelectual (marcas e patentes e afins). Uma área que não tem muita afinidade é o Direito Previdenciário, porém, pode ser que advogue algum dia se preciso for.

Perguntei se é difícil lidar com Juiz ou é mais difícil lidar com os advogados?  Ele para e pensa um pouco e não consegue identificar o mais difícil. “Acho que isso vai de pessoa para pessoa. No mais, eu nunca tive problemas sérios para com ambos. Acho que a educação é base de qualquer relação”. Acho que o Nobre colega nunca foi despachar com um determinado Juiz aqui da Comarca, mas vamos abafar esse caso, acho que eu sou o encrenqueiro mesmo (risos).

Não pensa por hora em seguir carreira pública, nunca prestou concurso público, ou seja, um advogado nato.

Como nosso entrevistado gosta muito de ler e citou tantas vezes a leitura, indaguei se ele está lendo algum livro ou se teria algum que considera interessante para a vivência e aprendizado dos nossos leitores. “No momento não estou lendo nenhum. Mas, se me permite fazer uma indicação, aqui vai: “Longe da árvore”, de Andrew Solomon. Um livro indispensável”.

Nosso entrevistado é  engajado em uma causa voltada ao público LGBT aqui no Interior, aonde é Vice Presidente da CODISEI – Comissão da Diversidade Sexual de Itu-SP, sendo nomeado inclusive Presidente da Comissão de Diversidade Sexual e Gênero, no triênio 2019/2021 na Comarca de Itu/SP, pelo então Presidente da OAB local, exatamente no dia em que concluímos esta entrevista (14.02.2019). A CODISEI, segundo Ramon, “trata-se de uma comissão apartidária, sem fins lucrativos, que busca promover ações (palestras, eventos, estudos, pesquisas, consultas etc.), que garantam a cidadania e os direitos humanos da população LGBTI+. O convite surgiu de um amigo (Paulo). Atualmente contamos com aproximadamente 10 membros na equipe. Buscamos na CODISEI a verdadeira tradução da palavra diversidade. Todos são bem vindos”.

Como entramos neste tema, indaguei ao colega sobre sua opinião quanto a criminalização da homofobia que por sinal está em pauta no STF, Ramon então nos diz que “dada à omissão do Legislativo (o qual, até então, era incumbido tal função), os números alarmantes de assassinatos da população LGBT no Brasil (uma pessoa a cada 19 horas), motivados tão somente pelo ódio, a necessidade de se obter dados concretos de crimes homotransfóbicos, é que eu, ansiosamente, espero que o STF julgue o Mandado e a ADI por omissão, procedentes. Passou da hora de estender o conceito político-social de racismo para abranger, também, a LGBTfobia. Ao meu ver, ledo engano invocar aqui, tratar-se de pedido juridicamente impossível, posto que no famoso caso Ellwanger, assim já o fez nossa Suprema Corte ao atribuir força de crime racional ao antissemitismo”.

Diz ter conhecido os canais do Vida de Advogado, pelo próprio dono, eu, esse entrevistador e amigo com muito orgulho do nosso entrevistado. “Tive o prazer de estudar com a irmã dele, de conhecê-lo e consequentemente conhecer o canal. Acho um canal muito verdadeiro e traduz exatamente o que 99% dos Advogados do Brasil vivem no seu cotidiano. A nossa vida, a bem da verdade, está longe de ser igual a dos advogados de seriados norte-americanos, e o canal deixa isso de modo claro, e com bom humor”.

Como estamos chegando ao fim de mais uma entrevista, pedi para o nosso entrevistado deixar uma mensagem para o público do Vida de Advogado. “Em cada processo há liberdades, sonhos, anseios e a busca por uma resolução célere e justa. Então, aos estudantes: Pensem que agora é a hora de estudar e construir uma base sólida entre fundamentos e teorias. Não deixem para conhecer Pontes de Miranda quando terminarem o curso. No Direito não há esquemas, é uma ciência que exige muito e irá exigir para todo o sempre. Aos colegas advogados: Não somos inimigos. Por vezes, estamos em lados opostos, mas a arrogância não é requisito de ser ou não ser um bom Advogado, e no fundo, todos nós sabemos disso. Aos que pensam em concursos públicos, ou já são concursados: Que usem desta importante missão, para fazer o melhor ao jurisdicionado e para o jurisdicionado”.

Para aqueles que precisarem dos trabalhos do nosso colega, podem entrar em contato através do e-mail: O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo., principalmente aos colegas que precisem de auxílio com Propriedade Intelectual e Direito LGBT, fica à disposição.

 

Por Rogério Gimenez.

 

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