Entrevista com Ana Paula Villanueva Rodrigues

03 Mar 2016
Publicado em Entrevistas

Ana Paula Villanueva Rodrigues é casada, natural de Sorocaba, mas sempre residiu em Tatuí. Tem uma filha de dois anos e dois meses. Atua como advogada há 15 anos, na área cível e criminal e atende como correspondente em TATUÍ, Boituva, Cerquilho, Tietê e Itapetininga, através do telefone 15-996271146 e 15-32597764, e do e-mail: O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

 

 Assim como muitos dos advogados que conheço, Ana, não soube dizer por que escolheu o Direito. “Quando estava no 1º colegial simplesmente expressei para os meus familiares que queria cursar direito. E assim segui em frente. Posteriormente escutei da minha mãe que escolhi a profissão correta, pois voltava calminha para casa. Lógico, já havia passado o dia todo discutindo e lutando pelo que eu acreditava no meu trabalho. Acho que, acima de tudo, é uma profissão de pessoas idealistas ou, no mínimo, com opinião. Não dá para ficar em cima do muro quando se escolhe uma profissão como esta.  Claro que quando eu tinha seis anos de idade já possuía traços que apontavam para a escolha da minha profissão, como quando eu enfrentava a minha mãe e falava que se era para bater tinha que ser duro, pois se ficassem marcas eu iria denunciá-la para a polícia. Em resumo: é dose ser mãe de advogado(a)!!!

 Para Ana, o advogado do Interior é do tipo “bombril”, atua em diversas áreas e tem conhecimento de tudo um pouco, como ela diz, pura adrenalina. Para ela não é complicado advogar no Interior, muito mais fácil. “Se tiver um tempero de amor e bom humor então, muito melhor!! No interior ainda funciona o “olho no olho”, o por favor e o até o muito obrigada. Acredito que isto não funcione para os narizes empinados. Mas isso vale para qualquer profissão. Se você tiver, no mínimo, educação, não tem porque a coisa não andar.”

 Perguntei para Ana como é ser mãe, dona de casa e advogada? “Esta é a parte difícil. A sociedade cobra. Questiono se ser uma boa mãe é abdicar da profissão e se dedicar a casa e aos familiares ou se matar de trabalhar e tentar, ao menos, proporcionar aos filhos o mínimo de conforto. Será que uma mãe que se mata de trabalhar o dia todo não merece créditos por pensar que o seu filho(a) estuda no melhor colégio da cidade e que pode lhe proporcionar isso graças ao seu trabalho? Hoje em dia ser mulher, mãe e profissional está muito acima dos antigos valores impostos a nossa sociedade!!!”.

 Para Ana, é muito difícil o seu dia a dia como mãe e advogado,  mas prazeroso por outro lado, “posso matar os leões e os dragões que tiver durante o dia. Sempre serei recepcionada com amor, beijos e afagos. Costumo dizer que não basta educar, temos que dar o exemplo. Minha filha com apenas dois anos pega a minha pasta de trabalho e afirma que vai trabalhar. Senta ma minha mesa de trabalho, em frente ao meu computador e, novamente, repete que vai trabalhar!!! Eu sempre vi a minha própria mãe trabalhar e nunca fui traumatizada por isso!!!! Muito prelo contrário, segui o exemplo dela e faço o mesmo: sempre trabalhei e lutei pelo que acredito. Minha mãe tinha um fusca 76 até eu me formar em 2001. Quando paguei a última mensalidade da faculdade, em fevereiro de 2001, pois não tinha nenhuma dependência, ou seja, cinco meses antes de eu me formar (julho de 2001), ela trocou o seu famigerado fusca por um gol!!! Cresci escutando que o melhor marido que se deixa a um(a) filho(a) é o estudo. E não é que com sua sabedoria de vida minha mãe esteve sempre certa!!!

 Ana é a única advogada da família, pensem como é requisitada. “Mas o curioso é que encontrei parentes por afinidade ao longo da minha jornada de 15 anos. Devo metade do que vivi e aprendi a um Senhor que faleceu em 2015 chamado Ivo Mendes!!! Um pai de amor infinito e desprendimento que viveu para ajudar o próximo. Coração infinito. Morreu pobre aos seus 80 anos de idade porque tinha ideais. O primeiro deles era ajudar ao próximo e servir!! Fazia suas defesas criminais em forma de poesia. A outra metade devo a filha de dele de coração, Dra. Cristiane Camargo, com quem mantenho escritório até hoje. Acho que ela aprendeu tudo com o pai dela. Filho de coração é muito mais de que filho biológico, pois é escolhido pela imagem e semelhança”.

 Há algum caso que entenda ter sido gratificante que lhe dá orgulho da sua profissão? Poderia contar? Tudo me dá orgulho. Lidamos diretamente com a vida e o ser humano, no seu melhor e prior momento. Logo que comecei na assistência judiciária (na época que ainda era bom, mais ou menos em 2003), uma mulher que eu havia feito o inventário dos bens deixados pelo falecido pai dela, queria me pagar a qualquer custo, me procurou. Expliquei que meus honorários já haviam sido pagos pelo estado. Mesmo assim, ela agendou horário para atendimento. Qual não foi a minha surpresa senão a dela chegando com um leitão morto de presente. Quem me conhece sabe que tenho horror a carne exposta com a face dos animais!!! Morro de pena e não como de forma alguma. Acontece que aquela senhora havia viajado em um ônibus de linha, quase uma hora, segurando aquele leitãozinho morto como troféu. Entregou-me como quem oferece ouro. Quase morri. Disfarcei e voltei para casa com o leitão morto em meu carro. Acho que fiquei anos sem comer carne de porco, ao contrário da minha mãe que quase morreu de felicidade rsrsrrs (comeram carne de porco por mais de um mês).

  Já teve decepções na carreira? Por que? Muitas! Com pessoas e com a carreira. A vida é feita de decepções, mas aprendemos a decifrar o “ser humano” e a conviver com ele e classificá-lo.

Sobre a morosidade da Justiça, ela acredita que com o sistema digital melhorou muito, porém, depende mais da atitude dos juízes que comandam os seus cartórios do que outra coisa. “Alguns nascem com ajuízete aguda e outros, mais centrados, sabem bem o seu papel e para que vieram ao mundo.”

Perguntei o que ela achou das eleições da OAB e da vitória do Presidente e do atual valor da anuidade? Não sou afeita e não gosto de política de nenhuma categoria ou espécie, assim, dispenso comentários. E fugiu do assunto da anuidade assim como sobre o que a OAB promove aos advogados, Ana não gosta de se envolver nestes temas, gosta é de trabalhar e colocar a mão na massa.

Você já passou por alguma situação engraçada ou curiosa na advocacia? Qual? “Inúmeras!!! Saia justa não me falta, mas isso, em qualquer profissão. Posso enumerar várias saias justas, mas aqui vão algumas piores. 1) ano passado o meu amigo advogado me ligou e me pediu para acudi-lo em uma audiência de conciliação, vez que não chegaria em tempo. Pois bem, fui leve e saltitante para a audiência, com a preposta que ele havia indicado, apenas e unicamente para socorrê-lo, momentos antes.  Para minha total surpresa tratava-se de AIJ, com depoimento pessoal da preposta. Em resumo, não sabia nem quem eu estava representando, e no final descobri, pela Juíza, diga-se de passagem, que eram dois réus, vez que eu mesma havia informado que apenas representava um (aquele que meu amigo havia me noticiou). Moral da história: cuidado ao tentar ajudar um amigo que no final você é quem pode parecer incompetente. Com 15 anos de profissão me senti uma garota irresponsável e sem noção. E olha que tentei apenas ajudar a  um a amigo em apuros. 2) mas a pior em 15 anos foi quando fui fazer uma audiência de uma processo criminal aqui na Comarca. Ao terminar de recitar (isso mesmo, recitar) as minhas alegações finais no microfone e escutar a sentença proferida, o Juiz me questionou se conhecia determinado advogado. Prontamente respondi que era meu amigo. Amigo, foi a pior escolha da minha vida. O juiz respondeu se eu faria as alegações finais do meu amigo que não compareceu na audiência anterior, sob o argumento que este receberia uma multa de 10 salários mínimos pelo não comparecimento. Detalhe, a defensoria não paga R$ 600,00 pelo processo na primeira instância. Em resumo: sentei e fiz sem ter participado da instrução, nem ao menos sabia de que crime o processo se tratava. Foi um Deus nos acuda!! Posteriormente pedi informalmente ao promotor que não escutasse o CD com a minha defesa. Sabe aquela coisa de vergonha alheia?! Rsrsrrsrs No caos foi minha mesmo, mas quem não salvaria um amigo de uma multa de dez salários mínimos kkkkk E viva a advocacia!!"

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